sábado, 26 de dezembro de 2009

Peças com as quais estarei no Porto Verão Alegre 2010







Amigos, colegas e colaboradores; essas são as peças com as quais estarei participando do Porto Verão Alegre 2010. Nas imagens estão as datas e locas das apresentações.
Apareçam por lá.
Grande abraço!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009





Peça Vestida do Avesso.
Comentários sobre o espetáculo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

VESTIDA DO AVESSO






As Fotos são de Vilmar Carvalho





Vestida do Avesso é o novo trabalho de Pedro Delgado. Um projeto que tem como objetivo refletir, a partir de uma estética teatral, sobre os conceitos de gênero e educação.
A partir de um olhar sensível sobre a homossexualidade e a “teoria queer”, Delgado busca compreender e re-significar o papel da educação no desenvolvimento e na construção da personalidade e da sexualidade na sociedade contemporânea. Para expressar e dividir com o público essa inquietação, ele criou o monólogo intitulado Vestida do Avesso que mostra uma transexual que também é educadora num momento de grande significação e intimidade. Berna Herculine, a personagem do monólogo, chega ao extremo de seu limite suportável.
Para ela, em consequência de tudo o que já viveu, chegou o momento de transpor ou migrar para outro estado universal, ou simplesmente negar-se a compartilhar com os exageros cometidos em nome de valores tradicionais ultrapassados que impede a evolução e a possibilidade de borrar as fronteiras e os limites entre conceitos pré-estabelecidos e um novo olhar sobre a sociedade contemporânea. Ela aproveita que terá que fazer uma reunião com os pais de seus alunos para dividir com eles os últimos momentos de sua vida haja vista que cometerá o suicídio no final da reunião. Dessa forma, a platéia passará a assumir um papel importante nos últimos momentos da vida da professora o de ouvinte de seu desabafo e de sua preocupação com a forma como a educação trabalha com as diferenças e com a inclusão bem como com o Bullying “termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica”. Todo esse discurso é desenvolvido a partir de um olhar diferenciado de uma transexual que sentiu na pele os preconceitos, os sonhos e as fantasias de uma nova vida após fazer uma cirurgia de troca de sexo.
A complexidade entre os valores de uma sociedade real e os desejos mais íntimos de uma pessoa que vive entre as fantasias de um imaginário “quase utópico” e uma realidade cruel faz de Berna uma vítima da incompreensão e intolerância dos hábitos tradicionais desenvolvidos ao longo da história social. Nesse encontro ela promove um discurso que sensibiliza para a compreensão das diversidades e da importância de se fazer valer os direitos e os deveres, bem como da importância de uma comunicação de verdade, onde as pessoas possam se ver de fato e não através de rótulos e de conceitos pré-existentes. A peça pode ser vista como um ritual de passagem aonde Berna Herculine vai morrendo aos poucos como se caminhasse na direção da liberdade enquanto imprime em seus ouvintes a sua forma de ver as relações humanas.

Texto, direção, concepção e interpretação de Pedro Delgado. A estréia será no dia 2 de outubro, às 21h na Sala Álvaro Moreyra, onde ficará até 15 de novembro, sempre as sextas e sábados às 21 e domingos 20h. O valor do ingresso será de R$ 15,00 com desconto de 50% para idosos, estudantes, professores e classe artística.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

CURSO DE TEATRO PARA INICIANTE - Investigação das potencialidades do ator e da dramaturgia



TEATRO PARA INICIANTES
Investigação das potencialidades do ator e da dramaturgia

Dia: sábados
Horário: das 14 às 17h

Início: dia 19 de setembro
Término: dia 12 de dezembro.

Carga horária: 39 horas

Total de encontros: 13 encontros de 3 horas cada

Valor à vista R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais)
Ou: 2X 135,00 primeira no ato da inscrição e 2ª. 19 de outubro. Total R$ 270,00 (duzentos e setenta reais)
Ou: 3X 100,00 primeira no ato da inscrição e 2ª. 19 de outubro e 3ª. 19 de novembro. Total R$ 300,00 (trezentos reais)

Número de alunos:
Máximo 25 alunos
Mínimo 10 alunos para que a oficina aconteça.
Idade mínima: 12 anos

Professores:
Pedro Delgado e Rita Réus. (seguem currículos em anexo)

• Os alunos receberão certificado no final do curso e farão uma apresentação performática do resultado do trabalho.


Programa do curso:

Conteúdo:

• Ações físicas
• Oralidade
• Jogos teatrais
• Jogos dramáticos
• Ritmo
• Tempo
• Foco
• Ocupação espacial
• Construção da cena
• Construção da ação na dramaturgia
• Imagem
• Conflito
• A vontade e contra-vontade
• Metas.
As inscrições deverão ser feitas na Cia de Arte, Andradas, 1780 - Centro, POA
Informações pelo fone: 3225.9189

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

ÀS FAVAS COM OS HOMENS QUE AS MULHERES VÃO À LUTA...







Às favas com os homens que as mulheres vão à luta mostra os conflitos de Telminha e Edgar, um jovem casal que tem sua relação colocada à “prova de fogo” por conta da interferência de Carla, líder de um grupo de mulheres que está em pé de guerra com os maridos.
Obstinada para se vingar dos homens e sua dominação masculina, depois de abandonada pelo marido e de ver sua confraria “Só para mulheres” se desintegrar, Carla se muda para a casa de Telminha, “que é sua irmã”, para ter certeza de que a mesma cumprirá a risca as regras da confraria. Edgar percebendo a intenção da cunhada convida um amigo para passar uns dias em sua casa. É a partir desse encontro entre os quatro que se desenvolvem os conflitos vivenciados durante a peça.
O que se percebe, ao longo da história, é que Pedro Delgado está trazendo para o palco um texto que expõe os exageros e as mazelas resultantes de um processo histórico e social, a partir do um olhar sobre o discurso dos gêneros masculino e feminino. O fato é que depois de perceber que na história as mulheres foram sempre subjugadas e submissas às vontades e desejos masculinos Carla se revolta e levanta a bandeira de sua confraria. Ela busca, a partir de um contrato, inverter os tradicionais e habituais costumes. “Pena que no final tudo de errado.” Telminha e Edgar preferem, como boa parte das integrantes da confraria, levar a tradicional e romântica relação. Ainda que sob um novo olhar que irá se construído no desenrolar da peça.
Estreia dia 8 de agosto às 21 horas no teatro Hebraica, rua Gen. João Telles, 508 bairro Bom Fim, onde ficará até 13 de setembro sempre aos sábados 21 e domingos 20 horas.
O texto e a direção são de Pedro Delgado. No elenco estão: Daniela Lima, Ita Ramires, Luis Carlos Pretto e Pedro Delgado. Os Ingressos custam R$ 20,00 com 25% de desconto para Sócio e um acompanhante do Clube ZH. Terceira idade tem 50% de desconto.
Realização: Grupo de Teatro CACIMBA
Produção: RELUZ - Produção e Marketing Cultural
Promoção: Clube do Assinante ZH
Contatos: 9841.0072 c/ Pedro Delgado e E-mails: pedrocalacerda@gmail.com e p.delgado@terra.com.br

quarta-feira, 15 de julho de 2009

VESTIDA DO AVESSO




O espetáculo Vestida do Avesso estreará no dia 2 de outubro no auditório Álvaro Moreyra no Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre às 21h. O espetáculo cumprirá temporada até 21 de novembro sempre as sextas, sábados e domingos. O texto e a atuação são de Pedro Delgado; a orientação de atuação é de Silvia Ramos; Jorge Gil faz assistencia de direção. O projeto é uma realização do Grupo de Teatro Cacimba com produção da Reluz produção & Marketing Cultural.
Vestida do Avesso tem como condutora da história Berna Herculine, uma professora transexual que aproveita uma reunião com os pais de seus alunos para construir um discurso ritualístico de passagem.
Segue um pequenos momento do texto: ...que vá tudo para o inferno!... Eu também quero olhar, quero fazer apostas com as crianças para ver os minutos que ele vai levar para espalhar os semens. Quero saltar por uma dessas janelas e me jogar no mundo como as sementes liberadas pelo cego que são tragadas aos poucos pela terra encharcada pela urina dos ratos do beco, ou então como o som das santas palavras proferidas pela boca da crente que perambulam pelos ares com o vento. Quero achar alguém que supra as necessidades da minha carne sedenta de prazer ou alguém que carregue os pecados da minha alma sombria para onde forem menos pesados...

quarta-feira, 8 de julho de 2009


Por motivos alheios a vontade da produção do espetáculo Como Enlouquecer Sua Alma Gêmea, o mesmo não será mais apresentado Na Faces na cidade de charqueadas nos dias 16, 17 e 18 de julho. Sendo assim, deixo aqui o meu pedido de desculpas.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Às Favas Com os Homens ... Que as Mulheres Vão a Luta


A comédia "As favas com os homens... Que as mulheres vão a luta" estreará no dia 8 de agosto no teatro Hebraica na João Telles. O texto e a direção são de Pedro Delgado. A peça conta a história de Telminha, esposa de Edgar, que tem sua vida virada de pernas para o ar a partir do momento em que passa a fazer parde de uma confraria de mulheres presidida por Carla, sua irmã mais velha. O objetivo da confrafia é projetar as mulheres a qualquer custo em relação aos homens. o resultado de tudo isso é uma comédia que mostra as mazelas e os destroços das estruturas afetivas de uma sociedade fragmentada moral e emocionalmente.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

COMO ENLOUQUECER SUA ALMA GÊMEA

O Grupo Teatro Cacimba estará apresentando nos dias 16, 17 e 18 de julho no teatro da Faces em Charqueadas, a Comedia Como enlouquecer sua alma gêmea. Horário das aprsentações: 20h. Os ingressos estarão a venda no próprio teatro a partir das 18h nos dias das apresentações. Ajudem-me a divulgar convidando seus amigos.
Nos veremos lá.
Abraço!
Pedro Delgado

Até Que a Casa Caia

O Grupo de Teatro Cacimba está iniciando a preparação do espetáculo teatral Até que a casa caia. O texto tem autoria de Pedro Delgado, que também assinará a direção. A peça conta a história de Vandinha, que está gravida de oito meses e não tem como deixar nascer o filho, pois o município só tem uma maternidade e essa está fechada para reforma. Como se não bastasse, Vandinha ainda está com o pai entre a vida e a morte e não pode deixa-lo morrer porque o único cemitério do município está superlotado e o prefeito proibiu que se morra em seu município. Dessa forma, Vandinha encontra alguns aliados que lhes ajudarão a tentar solucionar seus problemas. No final a história surpreende a todos, inclusive a própria Vandinha e seus amigos.

O Espanta-Diabo







Hoje dia 23 de junho o Grupo de Teatro Cacimba apresentou, dentro do projeto SESC Dramaturgia, no teatro do Sesc, Av. Alberto Bins, 665 uma leitura encenada a partir da obra de Nikolai Semionovitch Leskov. A concepção e a direção foi de Pedro Delgado.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Entrevista no Dinossauros Cultura & Afins

ENTREVISTA: PEDRO DELGADO 09.02.2009
O ATOR, AUTOR E DIRETOR PEDRO DELGADO ABRE A SÉRIE DE ENTREVISTAS 2009 DO DINOSSAUROS CULTURAL E AFINS.
IMAGEM: DELGADO
ATOR, AUTOR E DIRETOR

DC&A - A partir de que momento você se descobriu um contador de histórias para crianças?

Pedro Delgado - Penso muito sobre o papel dos contadores de história, e acho que não me enquadro muito bem nesse universo. Acho que eu não saberia desempenhar esse papel, nem como escritor e nem tão pouco como ator com o respeito e merecimento que a profissão exige. As minhas histórias são todas pensadas e desenvolvidas para serem encenadas através da linguagem teatral. As ações ganham corpo somente a partir do desenvolvimento do jogo dramático e de uma estética física. Quanto ao início de minha carreira como dramaturgo: eu me lembro que tinha por volta de nove ou dez anos quando meus irmãos levantavam pela manhã para brincar e eu cobria a minha cabeça com o cobertor para poder inventar histórias onde eu vivia experiências absolutamente fantásticas. Meu coração às vezes disparava e outras silenciava num estado real das experiências vivenciadas. Acho que nessa época eu já estava gestando alguns de meus textos. Profissionalmente comecei a escrever no início dos anos 90.

DC&A - " A Roda da Imaginação" reúne textos de diferentes períodos. Há uma continuidade entre as três leituras?

Pedro Delgado - Quando inicio o processo de produção de um texto eu não fico muito preocupado com o que já fiz. Geralmente o que escrevo é o resultado de uma serie de “coisas” que vêm do mundo real e vão se organizando no meu mundo imaginário. Na maioria das vezes essas “coisas” têm ligação somente entre elas. Cada momento é diferente e por isso acho que cada peça minha fala de “coisas” diferentes. Penso que os três textos têm um encontro no que se referem as suas estruturações temporais e não uma continuação. Eu gosto de misturar um pouco de história, mitologia e contemporaneidade, mas nunca numa ordem cronológica ou seqüencial.

DC&A - Você escreve, atua, e dirige. Dentre essas funções qual delas o levou primeiro ao teatro?

Pedro Delgado - O inicio da minha carreira profissional no teatro foi em 1988 com o grupo Mutirão, onde atuavam grandes nomes do teatro gaúcho. Fiz um curso de interpretação teatral e logo fui convidado a ingressar no grupo. Lembro que fiquei tão feliz que nem acreditei. O convite veio numa festa de final de ano do próprio Mutirão. A minha primeira peça como ator foi no início de 1989, uma adaptação do clássico A Bela Adormecida dos Irmãos Grimm feita por Sergio Ilha. Foi a minha porta de entrada nos palcos atuando como ator. Os primeiros passos como diretor foram em 1991 e na dramaturgia me arrisquei somente em 1992 com uma adaptação da Branca de Neve. Até hoje posso dizer, sem medo de errar, que curto mais atuar e escrever a dirigir. A direção me provoca uma sensação de desconforto muito forte. Trabalhar com o material humano requer mais do que criatividade é preciso ser também, um administrador de egos e vaidades e isso me chateia muito.

DC&A - Como você avalia o momento atual do teatro gaúcho?

Pedro Delgado - Lembro-me que há alguns anos atrás abríamos os jornais e observávamos produções teatrais em cartaz sob a direção de Camilo de Lélis, Dilmar Messias, Maria Helena Lopes, entre outros, que hoje estão basicamente afastados dos palcos, o que é lamentável, pois todos eles faziam um trabalho de qualidade que contribuía para a diversidade artístico-cultural de nosso estado. Diante dessa realidade é possível dizer que estamos vivendo uma nova realidade no cenário teatral. Temos bons profissionais atuando, mas penso que por falta de políticas culturais os artistas estão produzindo menos, sem falar nos que partem para outros estados em busca de novas oportunidades. A grande maioria vai tentar trabalhar no eixo Rio São Paulo. O que também é lamentável, mas compreensivo devido a grande frustração por parte dos mesmos em relação às políticas culturais do governo atual aqui do RS! Precisamos de mais incentivo político para que possamos desenvolver trabalhos melhores pesquisados e de maior valor estético, pois só assim poderemos oferecer à sociedade, espetáculos com mais qualidade.

DC&A - Quem no teatro local influenciou e ainda influencia na composição do seu trabalho?

Pedro Delgado – Acho que se tem alguém que me influenciou foi o próprio Sergio Ilha, ainda que essa influência tenha se dado de forma indireta. Admiro a direção do Camilo, a interpretação de Nilza Ramos (hoje fora dos palcos), Alguns textos de Carlos Carvalho, mas nada que chegue a exercer influencia no meu trabalho. Procuro desenvolver a minha arte a partir de minhas próprias angustias e inquietações sobre a estética e o social. Penso que a minha graduação em história favorece bastante no meu processo criativo servindo de alicerce para outros teóricos mais específicos da área teatral. Quero deixar bem claro que não se trata de desgostar do trabalho de meus colegas, pelo contrário, acho que estamos todos nos aprimorando o tempo todo. Temos ótimos diretores, dramaturgos, atores... Mas, procuro buscar minhas inspirações em universos ainda pouco explorados.

DC&A - Eu entendo que escrever é de fato uma mágia quase, senão, totalmente inexplicável. Como funciona pra você? E, já chegou a pensar em dedicar-se exclusivamene a este segmento?

Pedro Delgado – Estive recentemente desenvolvendo uma investigação a respeito do processo criativo e concordo com Pichon Rivière quando ele diz que em geral o ato criativo nasce de um estado de angustia. Platão também já apontava para esse princípio criativo. Escrever é uma arte que ganha forma através da escrita e que não se manifesta, no meu entender, se não a partir de um estado de angustia. Portanto é difícil, realmente, explicar o universo de nossas inspirações. Penso, às vezes, que se escreve assim como se pinta uma tela, como se organiza os móveis de uma casa, etc. Para mim, o ato de escrever é uma forma de organizar vontades e contra-vontades, que vão sendo assimiladas e que vão me deixando angustiado. Chega um momento que parece que alguém desenha no meu imaginário o que seria, ou o que eu prefiro chamar, de momentos de vivencias de seres imaginários que começam a povoar os meus pensamentos. Então, eu preciso colocar eles para fora e organizar cada um de forma clara para que eles sosseguem e me deixem em paz. Quanto a deixar de atuar para continuar só escrevendo é algo que não consigo imaginar. Pretendo continuar escrevendo e representando. Dirigir, como já disse anteriormente, é algo que o seu processo me incomoda e por isso só faço quando não tenho alternativa, mas, se for necessário continuarei dirigindo pois resultado final é quase sempre muito gratificante.

DC&A - Quando da criação de uma história infanto-juvenil os caminhos que levam ao lugar comum de outras tantas possivelmente são muitos. Como você faz para não sucumbir a essas armadilhas?

Pedro – Bom, dizem que as idéias andam soltas por todos os lugares a procura de alguém que às capte. Procuro captá-las na sua essência e a partir daí desenvolver a minha dramaturgia. Tenho medo sim de me tornar repetitivo e cuido para que, sem querer, acabe plagiando o trabalho ou uma simples idéia de alguém. Procuro, em primeiro lugar, construir uma história a partir de situações que sejam pelo menos, aparentemente, novas. Penso que existe um universo enorme a ser descoberto, principalmente no que diz respeito ao comportamento universal humano que pode servir de fonte no processo criativo. Atualmente estou escrevendo um monólogo cuja inspiração vem do universo queer. Quero discutir esse assunto e, através de um personagem ligado a área da educação, apresentá-lo aos porto-alegrenses a partir de uma estética sóbria e bem elaborada.

DC&A - As comédias são uma constante em sua carreira. Escrevendo ou atuando você ainda fica inseguro com a possibilidade de determinada situação que deveria ser engraçada não funcionar? Caso aconteça, como reagem o ator e o autor?

Pedro Delgado – Sem dúvida! Eu procuro fazer apostas trabalhando com ferramentas tradicionais da comédia misturadas com novas propostas. Às vezes acerto outras vezes não. É um risco que preciso correr para saber se vai ou não dar certo. Gosto de trazer elementos de minha infância para rechear meus textos de humor. Têm coisas também que funcionam durante um tempo e depois deixam de ser interessantes para o público. Eu entendo que o humor não está em o que está sendo feito ou dito e sim na maneira como está sendo feito e dito. O publico, no meu entender, não ri da coisa em si, mas da maneira como essa coisa o surpreende. Quanto à reação do autor no caso de uma ação cômica não funcionar? Eu acho que o autor não tem muito o que fazer. Nesse caso acho que é o ator quem precisa encontrar uma outra maneira de desenvolver a ação, talvez deva rever a forma e o tempo em que está entregando a piada ao público. Já me vi em diversas situações que tive que recorrer ao improviso para tentar salvar uma piada e arrancar a gargalhada do público.

DC&A - Alguns dramaturgos brasileiros e do mundo...

Pedro Delgado – Gosto muito do enfoque social e da poética marginal dos textos de Plínio Marcos; Nelson Rodrigues também me faz ficar horas lendo suas peças e tentando entender a sociedade carioca e sua estética literária. Jorge Andrade, Ariano Suassuna, Caio Fernando Abreu e João Cabral de Melo Neto também merecem um lugar de destaque na dramaturgia brasileira e no meu gosto pessoal, ainda que esse último não tenha escrito especificamente para o teatro. Tennessee Williams, Oscar Wilde, Jean Genet, Georg Büchner, Anton Tchekhov, j. w. Goethe, Dario Fo, Virgílio, Plauto e William Shakespeare são os meus favoritos seguidos dos cômicos Aristófanes e Moliére.

DC&A - Porto Alegre por Pedro Delgado:

Pedro Delgado – Sou apaixonado por Porto Alegre! Há vinte e seis anos vim morar aqui e desde então me sinto um porto-alegrense. A cidade é romântica e seus habitantes são ótimos amantes da cultura local. O orgulho pela tradição e a busca pelo novo faz dessa cidade um bom lugar para se viver, estudar e com muito esforço, trabalhar. Não fosse pela falta de uma política local que possibilitasse o desenvolvimento de projetos que projetasse a arte gaúcha para o cenário nacional acho que jamais pensaria em sair daqui.